Anualmente a Biblioteca Erico Verissimo mantinha atividades voltadas para a divulgação das obras de seu patrono. Naquele ano de 1993, foram organizadas programações durante a semana como forma de dar destaque a sua obra literária. Uma delas foi à execução de uma obra pictórica relativa à literatura de Erico Verissimo. Essa obra foi executada nos dias 17 e 18 de dezembro, no espaço interno da Biblioteca, onde ficou exposta até o ano de 2020.
10 de jan. de 2022
vídeo - Artista Plástico Freddy Sorribas faz homenagem a Erico Verissimo em 1993
Anualmente a Biblioteca Erico Verissimo mantinha atividades voltadas para a divulgação das obras de seu patrono. Naquele ano de 1993, foram organizadas programações durante a semana como forma de dar destaque a sua obra literária. Uma delas foi à execução de uma obra pictórica relativa à literatura de Erico Verissimo. Essa obra foi executada nos dias 17 e 18 de dezembro, no espaço interno da Biblioteca, onde ficou exposta até o ano de 2020.
Parte integrante da Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), a Biblioteca Erico Verissimo (BEV) é um espaço público especializado em Literatura, Biografias e Artes. Localizada no Centro Histórico de Porto Alegre, voltado à literatura, ao conhecimento e à promoção da leitura. Homenageando um dos maiores escritores gaúchos, Erico Verissimo, a biblioteca é ponto de referência para leitores, pesquisadores e visitantes.
5 de nov. de 2021
Casa de Cultura Mario Quintana - março de 1991- Projeto Original
APRESENTAÇÃO
A Casa de Cultura Mario Quintana foi pensada e planejada para a realidade cultural do Rio Grande do Sul. Deve, portanto, ter a clara consciência de estar situada num país de terceiro mundo, com suas limitações e carências, e saber tirar proveito deste fato: se faltam meios, há tempo e espaços disponíveis e cabe a nós preencher este tempo e ocupar os espaços.
Deve repensar sua latinidade sem traumas, de forma positiva.
Deve buscar o contemporâneo, sem esquecer as raízes e as etnias que contribuíram para a sua formação.
Deve ser ágil, dinâmica, criativa, inquisidora, crítica, buscando o acerto mesmo através do erro; adolescente e não senhoril. E deve, principalmente, ousar, e ousar muito, pois somente aos que têm ousadia é dado acordar no futuro.
Sergio Napp Diretor da CCMQ
HISTÓRICO
Início do século XX. A modernidade estava presente em todas as correntes do pensamento humano. A era moderna, iniciada no final do século passado, trazia a ciência e a tecnologia a serviço do homem. Os automóveis, os aviões, o telefone e os grandes movimentos culturais transformavam o perfil das capitais.
Em meio a esta agitação cultural, nascia na Porto Alegre província um projeto audacioso. O arquiteto alemão Theo Wiederspahn, contratado por Horácio de Carvalho, surpreendia a todos ao projetar em estilo neoclássico, dois prédios interligados por passarelas, que cruzavam por cima de uma via pública e tinha em seu topo duas cúpulas. Em 1923, os irmãos Masgrau, arrendatários do prédio, inaugurariam ali o Hotel Majestic.
As características diferenciadas do prédio e o atendimento dos arrendatários dariam popularidade ao local. No hotel desfilavam artistas, intelectuais e personalidades, como os ex-presidentes Getúlio Vargas, João Goulart, o escritor Erico Veríssimo e os cantores João Gilberto, Dalva de Oliveira, entre muitos outros.
O tempo foi passando, a cidade romântica do início do século foi crescendo, dando lugar aos grandes e frios espigões, a violência e a poluição. Surgia a decadência e a desumanização de que padecem as áreas centrais de todas as grandes cidades.
O grande Hotel Majestic não escapou a esta realidade. Entrava na década de setenta longe de seu esplendor, deixando de ser um hotel tradicional, para abrigar, basicamente, moradores permanentes.
Um de seus mais ilustres moradores foi Mario Quintana. O poeta ali viveu de 1968 até 1980, quando o prédio foi fechado definitivamente como hotel.
Sem brilho, desgastada e consumidas pelo tempo, a bela edificação estava ruindo. Eram os vazamentos e pinturas descascando e rebocos caindo. Mesmo assim, a obra projetada no início do século, ainda chamava atenção pela importância arquitetônica e histórica. Precisava ser preservada e recuperada.
Em 1980, o Governo do Estado, através do Banco do Estado do Rio Grande do Sul, adquire o prédio. Evita-se assim, uma provável demolição para dar lugar a outro espigão. Já se pensava nesta época em instalar um centro de cultura no prédio do antigo Majestic. Começaria uma nova etapa para o surpreendente edifício que havia funcionado como hotel por 57 anos. Permanecendo desativado por mais de dois anos, em março de 1983 um espaço de exposições é inaugurado no térreo, sendo o prédio reaberto na tentativa de instalar o centro de cultura. No mês de julho do mesmo ano, um projeto aprovado na Assembleia Legislativa denomina o novo espaço cultural de Casa de Cultura Mario Quintana, homenageando o grande poeta e antigo morador do então Hotel Majestic. Dois anos mais tarde, o prédio seria tombado pelo patrimônio Histórico e Artístico do Estado.
A partir de sua abertura como Casa de Cultura, e por seis anos o prédio funcionaria precariamente. A primeira administração esteve a cargo da professora bibliotecária Ivette Zietlon Duro, substituída em 1984, pela artista plástica Iara Gay Castro e posteriormente, em 1986 pela especialista em educação, Maria Gercira de Moura Diniz. Devido à falta de condições do edifício era possível utilizar tão somente o térreo e o primeiro andar.
O Hotel Majestic para abrigar a sonhada Casa de Cultura pedia restaurações urgentes. Constatada, a total impossibilidade para desenvolver qualquer trabalho naquelas condições, iniciou uma verdadeira luta na busca de recursos no sentido de recuperação e reciclagem da edificação. Conforme algumas ideias, das administrações estaduais anteriores, a obra poderia levar até trinta anos para ser concluída. Porém, durante a administração Simon-Guazzelli, em 1987, sob a direção do engenheiro e artista Sérgio Napp, um projeto do que deveria ser uma Casa de Cultura começou a ser estudado junto com a sua recuperação. O prédio viabilizava a ocupação de seus espaços internos para as mais variadas atividades. Em julho, deste mesmo ano, o estudo preliminar foi apresentado ao público e as instituições culturais para ampliar as discussões sobre o futuro da obra. Em março de 1989, o anteprojeto de autoria dos arquitetos Joel Gorski e Flávio Kiefer, foi concluído. O projeto dotaria o prédio de uma total integração em todas as áreas internas, onde se desenvolveriam as atividades culturais. Num trabalho inovador, em termos culturais e arquitetônicos a futura Casa de Cultura Mario Quintana permitiria um contato visual de todos os trabalhos presentes em seu interior. O novo lado a lado, com o antigo.
PROJETO
O projeto previu ainda a necessária infraestrutura moderna para o seu perfeito funcionamento. Iluminação, prevenção contra incêndios, ar condicionado, computador, antena parabólica e outros itens que fariam da Casa de Cultura Mário Quintana das mais completas da América Latina. Em julho de 1989, foi assinado o contrato entre o Estado e a empresa que viria realizar a obra. A Casa foi fechada para dar lugar ao canteiro de obras.
A postagem apresentou a introdução do folheto original.
O folheto completo está disponível para consulta local na Biblioteca Erico Verissimo.
Parte integrante da Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), a Biblioteca Erico Verissimo (BEV) é um espaço público especializado em Literatura, Biografias e Artes. Localizada no Centro Histórico de Porto Alegre, voltado à literatura, ao conhecimento e à promoção da leitura. Homenageando um dos maiores escritores gaúchos, Erico Verissimo, a biblioteca é ponto de referência para leitores, pesquisadores e visitantes.
23 de set. de 2020
Pronunciamento do Deputado Estadual Ruy Carlos Ostermann, autor do projeto de lei nº23/83, que deu nome à Casa de Cultura Mario Quintana ao ex-Majestic Hotel.
Dia 28 de junho de 1983 na Assembleia Legislativa.
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"Sr. Presidente, Srs. Deputados:
Nesta casa se presta, neste momento, a homenagem talvez estranha mas
indispensável à poesia.
Em tempo de extrema dificuldade para a articulação até mesmo das frases,
em tempo de extrema penúria para o conteúdo das frases, em tempo de silêncios,
em tempo em que a palavra não se ouve e ela se cala, me parece que lembrar que
um prédio, da mais bonita e saudosa arquitetura de Porto Alegre, o ex-majestic
Hotel, seja agora transformado em Casa de Cultura e que por iniciativa de um
Projeto de Lei desta Casa possa esta Casa de Cultura denominar-se 'Mario
Quintana', eu penso que se está, sob muitas formas, agradecendo, retribuindo,
devolvendo de algum modo a alegria, a justeza da frase, a capacidade de
embevecimento e, sem dúvida, os valores morais, estéticos e de humanidade de um
Poeta.
Esta Casa tem se caracterizado pela defesa intransigente de fatos
imediatos, dolorosos, cruéis e contundentes. Poucas vezes ela pôde, no
entanto, demorar-se numa atitude, talvez, até surpreendente, para abrigar, na
generosidade, a um Poeta e designar-lhe então um lugar na cidade, na cidade que
ele sempre amou, que ele soube amar nos seus desvios, nas suas esquinas, que
ele soube, sobretudo, amar na sua paisagem humana.
Este homem que solidariamente, durante algum tempo, justificou quase que
a preservação do ex-Majestic Hotel, esse homem que transitava solitário por
aqueles arredores e que lá, certamente escreveu algumas das páginas, alguns dos
versos que hão de ficar na memória, na sensibilidade brasileira, está a merecer
hoje, nesta Casa - e estou fazendo o encaminhamento da votação - um gesto que
eu entendo que é de todos nós, pela forma unânime com que foi acolhido pelos
pareceres favoráveis que recebeu, nós estamos finalmente dando de volta, não
com a generosidade e nem com a grandeza do Poeta, mas com, enfim, a nossa
possibilidade politica, estamos dando de volta alguma coisa desta ampla,
indiscutível, admirável, contínua doação ás pessoas, que é a poesia de Mario
Quintana.
Penso que assim se faz uma pequena justificativa e com isso se justifica
o Projeto, que ora encaminhamos".
A cerimônia de votação, apresentação, pareceres, discursos e leituras
foi assistida por grande número de pessoas e, principalmente, por Mario
Quintana. Após a aprovação, ovacionada por todos, o Poeta subiu à tribuna para
um breve e emocionado pronunciamento que a todos comoveu:
“Aqui estão todas as correntes reunidas em torno da poesia, e é em nome
da poesia que agradeço aos senhores”.
·
KOSLOWSKY SILVA, Liana. Majestic Hotel – Memórias de um Monumento, v46,
p114-115 - 1992
Parte integrante da Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), a Biblioteca Erico Verissimo (BEV) é um espaço público especializado em Literatura, Biografias e Artes. Localizada no Centro Histórico de Porto Alegre, voltado à literatura, ao conhecimento e à promoção da leitura. Homenageando um dos maiores escritores gaúchos, Erico Verissimo, a biblioteca é ponto de referência para leitores, pesquisadores e visitantes.
23 de abr. de 2020
Tempo de Mario Quintana
"SEISCENTOS E SESSENTA E SEIS" ou "O Tempo" - livro Esconderijos do Tempo - 1980
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê,
já são seis horas!
Quando de vê,
já é sexta-feira!
Quando se vê,
já é natal…
Quando se vê,
já terminou o ano…
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado…
Se me fosse dado um dia,
outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas…
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo…
E tem mais:
não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.
O Tempo e o Vento
Havia uma escada que parava de repente no ar
Havia uma porta que dava para não se sabia o quê
Havia um relógio onde a morte tricotava o tempo
Mas havia um arroio correndo entre os dedos buliçosos dos pés
E pássaros pousados na pauta dos fios do telégrafo
E o vento!
O vento que vinha desde o princípio do mundo
Estava brincando com teus cabelos...
Ah! Os relógios - livro “A Cor do invisível”, 1989.
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas que até parecem mais uns necrológios...
Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia para nos dar a eternidade inteira.
Inteira, sim, porque essa vida eterna somente por si mesma é dividida:não cabe, a cada qual, uma porção.
E os Anjos entreolham-se espantados quando alguém - ao voltar a si da vida -acaso lhes indaga que horas são...
Parte integrante da Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), a Biblioteca Erico Verissimo (BEV) é um espaço público especializado em Literatura, Biografias e Artes. Localizada no Centro Histórico de Porto Alegre, voltado à literatura, ao conhecimento e à promoção da leitura. Homenageando um dos maiores escritores gaúchos, Erico Verissimo, a biblioteca é ponto de referência para leitores, pesquisadores e visitantes.
13 de mar. de 2020
21 de março é o Dia Internacional da Poesia
- Para Viver com Poesia, de Mário Quintana
- Sentimento do mundo, de Carlos Drummond de Andrade
- Cânticos, de Cecília Meireles
Parte integrante da Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), a Biblioteca Erico Verissimo (BEV) é um espaço público especializado em Literatura, Biografias e Artes. Localizada no Centro Histórico de Porto Alegre, voltado à literatura, ao conhecimento e à promoção da leitura. Homenageando um dos maiores escritores gaúchos, Erico Verissimo, a biblioteca é ponto de referência para leitores, pesquisadores e visitantes.
A Livraria do Globo da Rua da Praia
A escultura de ferro no topo do prédio da Rua dos Andradas (Rua da Praia), talvez continue despercebida devido à pressa dos dias de hoje. ...













